Entrevista Funcionário do Mês Novembro 2010
Almir de Souza Neves - Portaria do Estoril
Do alto de seus 46 anos, nosso funcionário do mês chegou ao clube no ano de 2006, a convite do cunhado que travalhava como piscineiro em uma empresa de serviços terceirizados e que deu-lhe a dica sobre a necessidade do clube em contratar pessoas. Naquele tempo, Almir trabalhava na construção civil fazendo tubos de concreto e sua estreia no clube foi desempenhando uma função mais leve, porém de muita habilidade. O primeiro serviço no Estoril foi de garçom e exigiu que se recordasse de sua adolescência. "Quando eu tinha 17 anos trabalhei com isso, mas depois de tanto tempo já não lembrava nem como segurava a bandeja". Mesmo assim, o pessoal do clube gostou do seu trabalho e o chamaram novamente, mas para ficar uma semana na portaria da piscina, seria um período de teste.
Pela eficiência, a samana transformou-se em um mês, e o nosso Amir foi contratado no dia primeiro de maio, olha que coincidência, o dia do trabalho! Assim que teve certeza de que ficaria no Estoril, acertou as contas no antigo emprego. Depois deu mês na portaria da piscina, Almir foi direcionado pra portaria do clube, o que aumentou sua responsabilidade. Ali teria que observar todo mundo que entrasse e barrar quem ingnorasse as regras, como a entrada de arguile, de animais de estimação, usando capacete.
Nascido em Três Lagoas, começou a trabalhar com 13 anos em uma cerâmica. Aos 20 se casou pela primeira vez, sua filha nasceu e se mudaram para Cuiabá. Lá seu segundo filho nasceu. Em Cuiabá, Almir trabalhou na Copagaz. Ele conta que lá conseguia empilhar 500 botijões em 15 minutos na traseira do caminhão da empresa!
Também foi soldador e fez serviços gerais. O primeiro casamento se dissolveu, e teve que voltar à cidade natal em Mato Grosso do Sul, enquando os filhos permaneceram em Cuiabá. Voltou a trabalhar na cerâmica. Almir é um entre sete irmãos e uma irmã. A família foi se distribuindo em várias cidades, dois continuam em Três Lagoas, um foi para Bauru, outro para Lins, Rondonópolis, e a irmã para Nioaque.
Hoje em Campo Grande, com sua atual esposa, Almir também trabalha em uma garaparia, que ela e o sogro cuidam enquanto ele está no Estoril. Seu pai também mora na capital, é ex-ferroviário e tem 72 anos. O atual sonho de Almir é ter a casa própria, por que está morando com a mulher em uma casa nos fundos do brechó da sogra.
Inacreditável a façanha diária de almir, que após acordar cedinho, levar gelo para a garaparia, raspar cana, almoçar, tomar banho e sair de casa meio dia e quarenta, ainda tem que subir de bicicleta do bairro Nova Lima onde mora até o Clube Estoril, onde tem que chegar a uma da tarde. São vinte minutos em cima da bicicleta que seriam mais de uma hora de ônibus pegando três conduções. "Teve um dia que tive que voltar aqui pra abrir a porta da sauna e fiz o trecho de bicicleta em 12 minutos." conta o porteiro, que certamente seria um velocista excepcional.
Mesmo depois de pedalar tanto, ainda sobra muito fôlego de sobra para desempenhar seu trabalho e cumprir sua principal meta: "quando estou ali quero que o sócio entre rindo e saia rindo".
André Patroni