Marcos Adriano Ranzan

Entrevista Funcionário do Mês Outubro 2010

Marcos Adriano Ranzan - gerente da cozinha do Estoril pela parte da manhã

O artista que junta ingredientes e atiça o paladar dos sócios do clube Estoril.

Nosso ex-presidente da república não conseguiria, de primeira, contar nos dedos das mãos o número de irmãos que fazem parte da mesma safra que Marcos Adriano Ranzan. Ele é o oitavo de dez! O último do primeiro casamento de seu pai.

A história de Marcos no clube Estoril começa há cerca de dois anos, quando veio para Campo Grande. Deixou seu curriculo e fez entrevista quando soube que precisariam de pessoas para um evento. Foi chamado e trabalhou naquela semana como garçom. Dois meses depois já estava como um dos gerentes na cozinha do clube devido sua experiência no ramo.

Marcos veio para Mato Grosso do Sul influenciado pelos dois irmãos que vieram antes. Nasceu em Medianeira, no Paraná já morou em seis estados diferentes. O tour desse paranaense pelo país foi dentro do seguinte itinerário: nasceu no Paraná > foi para Santa Catarina > Rio Grande do Sul > Rio de Janeiro > voltou para o Paraná > morou por nove anos mais uma vez no Rio de Janeiro > até que chegou ao Mato Grosso do Sul.

A ideia de sair da cidade natal é uma comum entre seus irmãos, que se espalharam pelos estados de MS, SC, SP, mas alguns ainda permanecem no Paraná. De todos os dez, Marcos é o único solteiro. Chegou a ser casado, mas separou-se. Seu casamento mais duradouro é com a arte de cozinhar. Seu namoro com esse ofício começou há dezessete anos, quando ainda trabalhava lavando o banheiro de um restaurante. Desde então sabia onde queria chegar. Seu pai também trabalhou no ramo, o que nos permite dizer que essa paixão está no sangue.

Mas o Marcos chegou a flertar com outras profissões, que, apesar de aparentemente diferentes da cozinha, tinham estreita relação com seu potencial criativo.  Foi costureiro, estofador, sapateiro, trabalhou na construção civil como auxiliar de topógrafo da empresa Camargo Correa, teve emprego na área de informática, vendedor e cabeleireiro.

É atrás do fogão que Ranzan se encontrou e é com essa arte que pretende fazer todas as bodas que qualquer casamento sério galga com o tempo. Pretende fazer faculdade de gastronomia após terminar, pela segunda vez, o segundo grau (segunda vez porque ele já terminou o ensino médio, acontece que na escola onde estudou houve um incêndio que danificou os arquivos e destruiu históricos escolares, inclusive o dele). Assim que tiver o diploma poderá formalmente ser chamado de "chefe de cozinha", terminologia que não o distanciará de por a "mão na massa", justamente aquilo que gosta de fazer.

A verdade é que Marcos se considera um artesão. "Molho Madeira", por exemplo: há quem o prefira fazer da maneira mais rápida, e atingir um gosto semelhante. Ele não, gosta de se envolver com o alimento que produz de modo que o resultado seja fruto da paixão que mantém pelo seu trabalho, seu molho madeira pode demorar mais para ser feito, mas tem o tempero da dedicação.

Mesmo sem ter dúvidas da fina qualidade de seus pratos, normalmente Ranzan não degusta o que cozinha. O motivo é simples: como geralmente cozinha pra mais de cem, há vários tipos de carne, arroz, e outras comidas que à medida que são feitas, exigem que sejam experimentadas. Quando a comida está à mesa ele já está satisfeito. Foi no Estoril que aprendeu a arte de uma boa Sardinhada e do Arroz de Braga.

Marcos faz questão de deixar uma coisa clara: não trabalha sozinho. Faz questão de lembrar durante a entrevista que os frutos de seu trabalho são resultado da soma de esforços da equipe que conta com cerca de quinze pessoas. Ele gosta de lidar com pessoas, de reconhecer o esforço das pessoas, acredita que o ser humano é a invenção mais linda de Deus e valoriza ao máximo. Qual a criação de Marcos Ranzan mais apreciada? "Frango a moda do chefe. Esse, sempre que pedem voltam a pedir. Para mim este é o melhor elogio."

André Patroni