Terezinha Cristina Macedo da Costa Corrêa

A beleza de quem ama
Cristina Costa emana harmonia e oferece a cada sorriso o segredo do sucesso: bom humor.

Uma fina chuva caía em Campo Grande. O refletor fazia o metal reluzir na noite que se anunciava, deixava mais evidente o letreiro "Cristina Hair" em frente ao salão de beleza. Era fim de tarde. Lá dentro, vozes femininas. Em uma das salas, uma menina deitada recebia o procedimento estético. As mãos sobre seu rosto, habilidosas no trato com a beleza, treinaram muito pra conseguir lapidar aquela sobrancelha tal qual um diamante. Assim, a entrevista começou.

Terezinha Cristina Macedo da Costa Corrêa ama o que faz. Só mesmo o amor pode explicar tamanha dedicação ao trabalho, são de 12 a 15 horas por dia, às vezes sem almoço. Isso ainda porque só agora, depois de dez anos, conseguiu tirar um tempo pra fazer caminhada diária. Enquanto é entrevistada, Cristina atende telefone fixo, celular, dá recomendações para as funcionárias:

"Vai ter que tonalizar"
"Anota a sobrancelha da menina lá"

Uma correria só. Mesmo assim, o sorriso reforça o gosto pelo ofício. Além de amar o trabalho, Cristina "ferve" no trabalho. Para chegar ao salão, passou antes por diversos empregos. Foi bancária, gerente de banco, padeira, teve loja no shopping, no centro, trabalhou na prefeitura e em loja de pneus. Até que se encontrou em meio aos cosméticos e pinças. Descobriu que um dos ingredientes para o sucesso profissional é o bom humor, mas só aos 29 anos, ela acredita, que foi descobrir sua própria personalidade, após o fim de um relacionamento que a limitava.

Além de extrovertida, é criativa. Em São Paulo foi fazer um curso para desenho de sobrancelha e comprou os itens recomendados. A tinta que era usada saía em pouco tempo e ela teve a ideia de substituí-la por algo mais durável. Foi quando criou a técnica de pintar com henna. Hoje é design em sobrancelha, dá até aula de como fazer isso, e tem gente que vem de cidades do interior só pra ter o curso com Cristina. São mais ou menos 500 alunas que ela formou. Também faz micropigmentação, de um modo que não deixa a sobrancelha azulada, devido a um outro processo que desenvolveu utilizando um pigmento à base de água. Olhando para o jardim de inverno em frente à sua janela, explica um pouco do seu trabalho

"Existe o paisagismo né? Mas tem também o 'visagismo', que cuida do visual da pessoa. Então você assimila o que é possível fazer de acordo com o gosto do cliente, com o cabelo, com as condições financeiras dele, pra que ele possa voltar no próximo mês."

No folheto natalino que divulga o nome do salão, uma frase mostra o conceito de quem não produz beleza, mas a descobre nas próprias clientes:
"Nós trabalhamos para fazer a diferença realçando seu brilho"

Não bastasse tantas atribuições dentro do próprio estabelecimento, Cristina lembra: "ah, eu distribuo produtos também, filho". Determinada e com muito fôlego, dá aulas, atende a clientes, administra o salão e a sua casa. Há 9 anos, desde que ficou viúva, aprendeu que era forte pra administrar uma perda e superar dificuldades. E não era fácil, de vez em quando a situação ficava apertada. Com 3 crianças em casa, chegou a ir pedir a uma vizinha óleo pra fazer comida. Mesmo assim, engolia a tristeza "Eu não podia chorar, quem iria num salão de alguém triste?"

Dessa forma, tornou-se mais que uma mãe, é exemplo pra sua filha Isadora, que a define como uma guerreira

"Minha mãe já passou por muitas dificuldades e superou. Me ensinou a nunca desistir. Quando eu tinha oito anos e meu pai se foi, ela me jogou no mundo e eu aprendi a me virar."

Hoje com dezessete anos, passou nos vestibulares de Farmácia e Nutrição na UCDB e Direito na Uniderp, mas não quer outra coisa se não o que acredita ser o mais difícil: Medicina. Por isso, vai continuar até passar.

Além de Isadora, ainda tem o Manoel de treze anos e o Theodoro, de onze. Quem vê o quadro na sala que atende às clientes pode até pensar que se trata de um consultório, a foto de Cristina numa pose cheia de postura parece uma pintura cercada da moldura "Ali eu estou bem clássica né? Parecendo a Dilma. Haha" diz, bem humorada.

No fim das contas as clientes de seu salão estabelecem uma relação que extrapola o comercial. É quando a design de sobrancelhas torna-se psicóloga de quem busca em suas habilidades os encantos escondidos. Para quem trilha os caminhos tortuosos da vida com alegria, e que busca sempre passar coisas boas para quem está ao seu redor emanando harmonia, os conselhos certeiros fluem de maneira espontânea.

"Tristeza não existe, as pessoas correm atrás da felicidade, mas eu estou em felicidade constante, eterna".

Quando sua filha atravessa o portão ela observa, atenta, e diz "tem coisa mais bonita que uma filha dessas?"
 

Para Terezinha Cristina Macedo da Costa Corrêa, que atende a mais de 500 clientes por mês nas altas temporadas, faz mais de 700 mil pinçadas por ano, administra um salão com doze funcionárias, nada é mais importante que a sua família. Ela, que se define como pai e mãe, dura e meiga, faz o que faz com gosto para poder dar qualidade de vida e educação aos filhos, e é parceira deles quando possível "se precisar pular de paraquedas junto, eu pulo".

Dessa forma, o conceito de beleza para quem trabalha no ramo da estética há mais de 15 anos transforma-se, ganha outro significado.

"O que é a beleza? Ah, pra mim a mais bonita é a do interior. O resto a gente vai no Cristina Hair e dá um tapa" diz, sorrindo.

André Patroni